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...não
deve ter sido por acaso que o primeiro trabalho de Waldemar
Falcão foi atuar na montagem carioca do musical Hair.
Ali estão, reunidos, alguns dos principais elementos
que iriam pautar toda a sua carreira profissional: música
e espiritualidade, inquietação e arte, sonho
e trabalho. São muitos caminhos, nem sempre correndo
paralelos, e Waldemar os percorreu todos.
A partir do teatro, aproximou-se da música estudando
flauta com Norton Morozowicz e teoria musical com Esther
Scliar. A estréia profissional como flautista aconteceu
em 1975 numa peça teatral, o Titus Andronicus
de Shakespeare, dirigido por Luiz Antonio Martinez Correa,
onde trabalhavam Carlos Vereza, Marieta Severo, Rodrigo
Santiago, Analu Prestes, entre outros.
O ano de 1976 foi o do auto-exílio em Londres, desanimado
pela censura e as dificuldades impostas aos artistas pela
ditadura. Lá, sobrevivia tocando violão e
cantando nas estações de metrô e escrevendo
artigos para o nosso querido Jornal de Música.
A volta foi rápida, já em 1977, e o teatro,
de novo, por perto. Desta vez o texto era de José
Vicente, A Chave das Minas, e a música de
Paulinho Machado. No Teatro Ipanema, dirigido por Ivan Albuquerque,
com Rubens Corrêa, Eduardo Conde, Leyla Ribeiro. A
banda ficava em cena durante toda a peça, e nela
tocavam, além de Waldemar e do próprio Paulinho,
o baixista Arnaldo Brandão.
Daí em diante, trabalhou na banda de apoio de artistas
como Zé Ramalho, João de Aquino, Amelinha,
Fagner, participando de shows, turnês e gravações
destas e de outras feras da MPB, tais como João do
Valle, Moraes Moreira, Armandinho e o Trio Elétrico
Dodô & Osmar, Elba Ramalho, Jorge Mautner, Elza
Soares, A Cor do Som.
Produtor e homem de disco, estudou engenharia de gravação
na legendária Recording Workshop de Ohio em
1982, e trabalhou como Label Manager da CBS (atual
Sony Music), coordenando o lançamento de trabalhos
como o primeiro disco solo de Sting, The Dream of the
Blue Turtles e a estréia do canadense Bryan Adams
no mercado nacional, além de assessorar seus
artistas internacionais. Durante este período, trabalhou
com Nina Hagen, James Taylor, Tony Bennet, Richard Clayderman,
Loredana Berté, Chuck Mangione, Pablo Milanez, entre
muitos outros.
Como produtor e engenheiro de gravação, foi
responsável, por exemplo, pela sonoridade e co-produção
do disco "Planeta Azul" de Mário Adnet, que foi premiado
com o troféu "Chiquinha Gonzaga" como um dos dez
melhores discos independentes de 1983; em seguida, trabalhou
como músico, engenheiro de som e co-produtor do cult
"Till
We Have Faces", do guitarrista inglês Steve
Hackett (ex-Genesis), cujas bases foram gravadas
no Rio em janeiro de 1984 e finalizadas em Londres em junho
do mesmo ano.
Entre uma coisa e outra, gravou a sua primeira demo
como cantor, compositor e flautista, que contou com a participação
de Adnet e Hackett, além de Fernando
Moura, Jaques
Morelenbaum, Rui
Motta e Manassés
de Souza entre outros craques, todos seus amigos
de estúdio e estrada.
Fotógrafo, expôs suas visões da natureza
em 1992 na Grande Galeria do Centro Cultural Cândido
Mendes e em 1994 na Livraria Bookmakers. A mostra levava
o nome de "Janelas Aéreas". Quase todas as fotos
tiradas da janela dos aviões que freqüentava
com tanta assiduidade. Coisas da vida de músico on
the road.
Astrólogo de formação humanista, foi
peça fundamental na estruturação do
sindicato da classe no Rio de Janeiro (Sinarj).
Desde 1987 tem tido atuação marcante no meio
astrológico e espiritualista, participando de congressos,
seminários e palestras, escrevendo artigos para publicações
especializadas e desenvolvendo um trabalho de aconselhamento
e consultoria que tem obtido ampla receptividade.
No meio de tudo isso, ainda resolveu traduzir o "Nostradamus",
da astróloga e psicanalista Liz Greene, um romance
escrito na primeira pessoa, onde o profeta e astrólogo
revela fatos inéditos — e incríveis — de sua
vida. Em português o livro recebeu o título
de "Nostradamus: uma biografia romanceada", lançado
pela Ediouro.
Isto
acabou resultando num convite irresistível feito
pela jornalista Luciana Villas-Boas para assumir a chefia
da Editora Nova Era do Grupo Record, especializada em assuntos
da espiritualidade, tarefa com que esteve envolvido de 1995
até meados de 1999. Em julho do mesmo ano foi convidado
para ser o responsável pelo catálogo da Editora
Elevação, uma editora nova de São Paulo,
e passou a "morar" na Ponte Aérea por um ano.
Julho de 2000 foi a data da volta para o Rio de Janeiro
e o fim do ciclo como executivo das casas editoriais. Fascinado
por esta nova mídia chamada Internet, envolveu-se
com o portal Globo.com, onde colaborou supervisionando a
área de religiões e espiritualidade até
o final de 2001.
Atualmente se divide entre os trabalhos realizados para
os portais e para as editoras em que continua trabalhando
como colaborador e o lançamento de seu primeiro livro,
Encontros
com Médiuns Notáveis, publicado
pela mesma Nova Era onde trabalhou como editor.
Mas
é na música que Waldemar compõe que
melhor podem-se ouvir musas tão diversas. Refinada
e espiritual, mas ao mesmo tempo acessível e saborosa,
a música de Waldemar é única, uma espécie
de abraço terno entre vários elementos, várias
cores, vários espaços. Para o seu ouvido,
a moda de viola dos nossos cantadores e o canto das mulheres
da Letônia soam harmoniosamente, e o forró
nordestino tem mais coisas em comum com a música
clássica da Índia do que poderiam supor nossas
distrações quotidianas.
É
um trabalho vasto, substancial e generoso, um trabalho raro
no tumulto ralo dos nossos dias, e que reflete com precisão
os vales, oceanos e colinas da sua alma. Algumas faixas
já finalizadas de seu trabalho solo estão
disponíveis no portal iMúsica,
ou diretamente no endereço do artista Waldemar
Falcão.
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