Fórum Astral Marcus Vannuzini
Este espaço virtual é dedicado ao espírito do Zini, grande astrólogo e um dos pioneiros da astrologia na Rede.

 
Astrologia e Psicologia
Angela Souza Nunes

(psicóloga e estudiosa de astrologia)

       O presente comentário tem a finalidade de emitir minha opinião sobre o artigo 'O Outro Lado da Questão', de Otávio Azevedo, presidente do SINARJ. Quero dizer que concordo inteiramente com ele, que reagiu com perplexidade ao modo como o Conselho Federal de Psicologia emitiu resolução de proibir os psicólogos de usarem a astrologia, florais, quirologia, foto kirlian e outras práticas ditas esotéricas, aliadas à psicologia. Falo como psicóloga que sou, formada há mais de vinte anos, e estudiosa deste conhecimento milenar, que é a astrologia. A atitude do CFP prende-se ao fato de que, para eles, tais práticas não foram validadas no campo da psicologia e, portanto, não são científicas. Mas é de fundamental importância ressaltar que nessa proibição transparece desdém e preconceito, mostrando, mais uma vez, a arrogância daqueles que se julgam detentores do crivo da 'verdade'.
        Passei muitos anos me dedicando a estudos em teoria da ciência e epistemologia, investigando o que realmente era a psicologia, pergunta que eu me fazia sempre. O motivo desta pergunta é que era evidente para mim, assim como para muitos colegas e professores, que este campo de estudos apresentava uma inconsistência teórica enorme, abarcando áreas de aplicação fundamentadas em teorias que chegavam a ser conflitantes. Se alguém estuda psicanálise na faculdade, dentro de teorias e sistemas, sente o abismo que se forma quando assiste às aulas de psicologia experimental, que trata do comportamento e da cognição, isso só para citar um exemplo. Suas teorias são diversas, partindo de axiomas excludentes. Seu campo de estudos é todo recortado. Não se trata, neste pequeno espaço, de provar teses, nem de conferir com as fontes fidedignas, mas apenas de emitir uma opinião. Julgo importante chamar a atenção para a necessidade de fomentar o exercício da autocrítica em nosso meio, mais do que exercer um papel de normatizadores da "verdade" - com a legitimidade a que se auto-conferem os "verdadeiros cientistas". Quem que disse que psicologia é ciência? Primeiro seria preciso perguntar o que é a ciência, coisa que os próprios "cientistas" hoje não sabem mais responder. Existe, há anos (mais de dez anos) uma enorme e fértil discussão no âmbito epistemológico, sobre as transformações que se têm operado no 'campo científico', e no próprio conceito do que seja a ciência, que está deixando de ser critério de "verdade", de legitimidade. Os pesquisadores são levados cada vez mais a colocar em xeque o conceito do que seja "a verdade". Porque, então, os psicólogos continuam a insistir nessas questões de 'critério de verdade' e critério do que é ciência ou não como argumento para classificar os saberes? Se olhassem um pouco para o campo em volta veriam claramente que esse argumento já dançou há muito tempo. Portanto, o que transparece mesmo é uma atitude defensiva que não se justifica, como se estívéssemos ameaçados de um desvirtuamento, de perder nossa condição de cientistas tão arduamente conquistada.

        Pois saibam todos que, ciência ou não (claro que não!), saber legitimado, aceito ou não, a astrologia - talvez por ser um conhecimento milenar - possui um sistema interpretativo extremamente sofisticado, coerente e auto-consistente, coisa que nem de perto a psicologia alcançou. Quem precisa de ser ciência (e não é mesmo) quando tem em mãos um sistema tão bem entrelaçado, auto-determinante e sincrônico, que pode ser comparado às enunciações mais avançadas de nossa época, como os sistemas caóticos, os fractais de Mandelbrot, os sistemas holográficos ou o inconsciente coletivo de Jung e seus arquétipos (que entre si, guardam o mesmo cerne sistêmico)? (Eu frisei a palavra compará-lo para justamente poder dizer que a astrologia não requer nenhuma teoria explicativa externa a ela, que a fundamente. Além do mais, quem tem pesquisado ultimamente sabe que o papel da teoria, enquanto fudamentadora externa e de fora do campo a ser explicado, está ruindo. Hoje mais nos aproximamos de uma fusão entre as referências 'teoria' e 'objeto'. Daí que quando 'comparamos' a astrologia a um sistema holográfico, por exemplo, ela é o próprio sistema holográfico). Desculpe dizer, mas do ponto de vista de consistência interna, a astrologia é um sistema 'completo', que se auto-sustenta, enquanto a psicologia continua absolutamente fragmentada, utilizando até hoje fundamentação externa e em diferentes conceitos e áreas do saber, como estatística, física, matemática, estruturalismo, organizacional , psicanálise etc, só para citar alguns. Então porque o desdém?

        Parece que os psicólogos já se esqueceram de sua história, onde a partir do programa positivista de Augusto Comte, foi postulada a impossibilidade da psicologia dentro da ordem científica (aqui será preciso conferir com Châtelet, 1981, p.23). Mas isso já passou, e eles já se esqueceram, desde que conseguiram, a duras penas, conquistar um pedacinho deste ilusório campo científico. Se não conquistaram consistência teórica - denunciada por muitos estudiosos, principalmente filósofos, físicos e matemáticos - alcançaram, pelo menos, credidibilidade, o que lhes permite desenvolver um importante papel dentro da nossa sociedade. Porque, então, portar-se de forma tão inquisidora e anti-ética em relação a um outro conhecimento diferente? O que está oculto por detrás deste comportamento tão fóbico? Deixem de se comportar como o avestruz e enfrentem sem medo os desafios de nosso tempo, ou correm o risco de se tornar jurássicos narcisos, onde fatalmente permanecerão, retrógrados, em seu gueto de confabulações.

Atenção: Não deixe de ler o texto que ensejou este artigo.
Clique AQUI e leia o texto do astrólogo Otávio Azevedo.

 
 



 
 

Design: Carlos Hollanda