Auta de Souza

Mansuetude


A Página

Tua vida é uma página da história
Do teu eu, vivido e experimentado...
Se tua visão, acaso, é notória,
É que, de há muito, tu tens caminhado...


Como faz bem, como sentimos glória
Nas inúmeras vidas do passado
Irmanadas com o hoje e a vitória
É um futuro mais belo e mais dourado...


É bom notarmos que esta experiência,
Tão ou mais importante que a ciência,
De vivermos muitas vidas, sem parar,


É uma dádiva generosa de Deus
Que impulsiona, que ensina os filhos Seus
Com Seu amor tão imenso e singular.


A Doçura do Natal

Se o amor dourar, de fato, nossas almas,
se contemplarmos tudo com ternura,
se nossos eus, em sintonia pura,
proferirem palavras sempre calmas...


Se estendermos, de nossas mãos, as palmas,
para darmos, a qualquer criatura,
o que temos a mais, nossa fartura,
que vai, minando a dor, curar os traumas,


provaremos a doçura do Natal
constantemente, não só por um dia,
pois combatendo o egoísmo, a farsa e o mal,


sorrindo ergueremos, para o nosso bem,
um acesso a Deus, pleno de harmonia,
que será de todos, e nosso também!...


Sabendo

Sabendo que somos, de Deus, as projeções,
que, além d'Ele, nada vale e nada existe,
que Ele É o nosso equilíbrio e a fonte dos clarões
que nos convencem que A Luz n'Ele consiste...


Sabendo que Ele É Amor, que É ausência de paixões,
que, nos Abrigando, em nós sempre Persiste,
que nos Encaminha à melhor das opções,
que É a compreensão, jamais o dedo em riste...


Sabendo que Ele É o total conhecimento,
que É a síntese do fraterno sentimento,
que É a vida que não termina no ataúde...


Sabendo, enfim, adorá-Lo e enaltecê-Lo,
seremos felizes, pois, ao entendê-Lo,
conquistaremos a Paz e a Plenitude!...


A Presença da Mestra

Como faz bem contemplar o firmamento
e divisar, plenas de luz, as estrelas
da nossa Via Láctea e, por um momento,
fico deslumbrada e é um encanto vê-las.


Como é belo que, com um mirar breve ou lento,
eu possa acompanhar seus passeios pelas
veredas do céu e juro que lamento
somente amá-las mas não compreendê-las.


Por isso é que admiro o nosso expositor
o jovem Antonio Carlos que, com muito amor,
revela influências, que eu mesma já senti,


Dos planetas que integram o sistema solar
sobre a humanidade e, é bastante singular,
ver nesta palestra o saber da mestra Emmi.

(Homenagem à mestra Emma Costet de Mascheville e ao seu discípulo Antonio Carlos "Bola" Harres)

Exemplo

Hermógenes: é plena de contentamento
que te abraço, comovida, mais uma vez,
pois, ao sentir o teu nobre sentimento
de amor ao próximo, e a tua sensatez,

Ergo graças a Deus, e como lamento
que haja tanta gente que, por estupidez,
jamais se recorda, nem por um momento,
que, não por uma hora, um dia e nem um mês

Mas, toda a vida, deveria seguir
teu exemplo de esperança no porvir,
tua justiça que nem requer de toga,

Tua ternura, teus gestos de firmeza,
teu verbo fácil, a transandar pureza,
e a fé tão própria de quem pratica Yoga.

(Homenagem ao Prof. Hermógenes, pioneiro do ensino do Yoga no Brasil)

Os dois espanhóis

Quando me lembro dos mortos de Guernica,
Ceifados, com tal frieza e tal maldade,
Por um espanhol que, hoje, se certifica
De que foi o algoz de toda uma cidade,

Sinto uma dor imensa que me caustica
E me induz a ter ternura e piedade
Por este insensato que, ora, triste fica,
Por ter agido com tanta crueldade...


Em vista disto, peço aos que me acompanham
Que orem pra livrá-lo dos grilhões que arranham
Seus pés, feridos, que sangram a cada passo,


Pois, se Guernica, a nós todos fere tanto,
Também nos leva a mirarmos com encanto
A obra-prima do genial Picasso.

Laborem Exercens

Será possível que haja alguém que diga
Que o labor diário, embora construa,
Faz o homem sofrer e ter fadiga,
Uma fadiga dolorosa e crua?


Será possível que haja alguém que siga
Sem plantar, sem deixar que, um dia, flua
Da mãe terra, a tão fértil e loira espiga
Pra que a fome, de vez, ela destrua?


Será possível que o martelo e o arado,
Jamais sejam tratados com cuidado
Pelo homem que deles necessita?


Espero que não, pois só com o trabalho
Poderemos livrar-nos do borralho,
Da miséria, da dor e da desdita.

O Caminho Perfeito

Removamos, da estrada, a pedra e o espinho,
enxuguemos, sempre, o sofrido pranto,
transformemos em riso o desencanto,
acompanhemos quem segue sozinho...


Quem nos fere, tratemos com carinho
façamos, do caos, ordeiro recanto,
enfrentemos o que nos causa espanto,
ajustemos quem está em desalinho.


Muito amemos, porque só o amor constrói,
destruamos o que lesa, o que corrói,
tornemos virtude, o pior defeito,


Não tratemos ninguém com ironia,
e assim, encontraremos a harmonia
e a luz de Deus, que é O Caminho Perfeito!...

Deus agindo!...

O homem de agora é a criança de outrora...
Regressa feliz quem, triste, foi partindo...
A noite escura não tarda a ser aurora...
Sempre gargalha quem aprendeu carpindo...


Neva, mas a primavera não demora...
O riacho, um dia, vai ser mar infindo...
Então, porque a noss'alma se desarvora,
sem compreender que Deus está agindo?...


Que Ele trabalha em contínua renovação,
Tornando brisa mansa o enorme furacão,
Unindo macro e micro em cada organismo,


Transformando a ribanceira em altitude,
nos levando do embrião ao ataúde,
e da cobiça ao amor sem egoísmo!...


Deus pulsando!...

Porque sofremos no planeta Terra,
e nos sentimos sós no Universo?...
Penso que é porque amamos a guerra,
sempre trocando o bom pelo perverso...


Criando o ódio, que o amor enterra,
e que faz nosso rumo ser transverso,
nos esquecendo que noss'alma encerra
o que há de pleno e, jamais, disperso,


o que há de luminoso, de sublime,
de lenitivo, que o sofrer suprime,
de informação, que apaga o preconceito,


de tolerância, de eterna doação,
de doce paz, de total compreensão,
pois temos Deus, pulsando em nosso peito!...

Aonde vai a lágrima

Na Terra se chora tanto
que, se Deus guardasse o pranto
que o mundo inteiro derrama,
dos astros, lá do Infinito
o choro do pobre aflito
podia apagar a chama.

Mas todo o pranto que desce
por nossa face, parece
que Deus o transforma em prece...
E a prece, cheiroso incenso,
Nas asas do vento imenso,
se perde no azul dos céus,
buscando o seio de Deus.

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Imagem: Mary by the River (Colagem)
© Jennifer Stock

 
 



 
 

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