Cem
Anos de Dane Rudhyar
Marcus
Vannuzini (in memoriam)
Talvez
o astrólogo mais importante do século XX,
o filósofo, compositor, escritor e pintor
nascido na França e radicado na
Califórnia é homenageado pelo
colega Marcus Vannuzini, criador da Comunidade Astrológica
Virtual.
O ano de 1995 marca um século do nascimento do
astrólogo, filósofo, poeta, compositor e pintor
Dane Rudhyar, e também 10 anos de sua morte.
Nascido
em Paris em 23 de março de 1895, Rudhyar radicou-se
nos Estados Unidos em 1916, época em que compunha músicas
de vanguarda. Em 1917 comecou a dedicar-se ao estudo da filosofia
oriental e, em 1920, interessou-se pela psicologia de Jung
e pela astrologia. Nos anos 30 Rudhyar iniciou um árduo
trabalho astrólogico: escreveu mais de 1.000 artigos
e cerca de 20 livros — e desenvolveu a Astrologia Humanista.
Alexander
Ruperti, amigo e discípulo de Dane Rudhyar, disse que
"a astrologia 'humanista' é uma astrologia do indivíduo,
da pessoa que procura se atualizar o mais plenamente possível.
Devido ao emprego impreciso e muitas vezes limitado ou equivocado
da palavra humanista, Rudhyar tem dado preferência ao
termo 'transpessoal'. É interessante observar que Rudhyar
foi o primeiro a utilizar a palavra 'transpessoal', em 1930:
esta é a marca de toda sua obra, não apenas
em astrologia, mas também em filosofia, em psicologia
e nas artes. (...) Mantive estreito relacionamento com Rudhyar
e seu pensamento desde 1936, ano em que a leitura de seu primeiro
livro, A Astrologia da Personalidade, revolucionou
minha concepção da astrologia e da vida. Depois
disso, tenho me esforçado em divulgar o pensamento
de Rudhyar, que me parece ser de importância capital
na resolução dos problemas espirituais, psicológicos
e existenciais que devemos enfrentar neste final do seculo
XX".
O
compromisso humanista, afirma Ruperti, é acima de tudo,
um compromisso de passar a ser o mais plenamente possível
aquilo que se é potencialmente. Toda pessoa nasce para
expressar, da maneira mais pura possível, a promessa
contida no seu mapa de nascimento. Isto, naturalmente, envolve
certos problemas que devem ser solucionados e certos desafios
que precisam ser enfrentados. Rudhyar disse certa vez que
nós todos somos, de algum modo, a expressão
de um problema e também a solução possível
para esse problema. Portanto, um indivíduo só
pode resolver esse problema se ele realmente É aquilo
que o seu mapa mostra que ele é potencialmente. De
certo ponto de vista, conclui Ruperti, este problema é
a própria vida.
O
pensamento de Rudhyar é um legado astrológico-filosófico
precioso e incomparável. Representa não apenas
uma evolução, mas uma verdadeira revolução
no saber e na prática astrológica, tendo inspirado
toda uma geração de astrólogos: Stephen
Arroyo, Liz Greene, Alan Oken e muitos outros. Rudhyar reinterpretou
a astrologia sob as luzes da moderna psicologia e da visão
holística, despindo-se das pesadas vestes que a cultura
européia impunha, até então, a todo aquele
que se propusesse a pensar o Homem e o Universo de um modo
mais amplo e abrangente. Pode-se dizer que Rudhyar 'reinventou'
o conceito de ciclo na investigação astrológica
e introduziu a interpretação holística
do mapa: a mandala deixa, então, de ser apenas um diagrama
das posições dos corpos celestes para se tornar
a representação global — o próprio arquétipo
do indivíduo.
Nas
palavras do próprio Rudhyar, "A humanidade é
apenas uma parte de totalidades mais extensas — o planeta,
o sistema solar, a nossa galáxia — e essas totalidades
ordenam hierarquicamente os palcos cósmicos e planetários;
no entanto, no palco da biosfera terrestre, o Homem é
um ator de importância crucial. (...) A 'partitura'
não é composta pelo próprio Homem, mas
a execução nem por isso deixa de estar a seu
cargo, seja ela boa ou má; e cada ser humano verdadeiramente
individualizado é um aspecto responsável pela
Humanidade-como-um-todo. O todo realiza a si mesmo em e através
de atos, sentimentos e pensamentos de seus participantes individualizados
que se abriram às suas descensões de poder.
Quando isso ocorre é atingido o estado de existência
transindividual. O caminho para esse estado é o que
chamo de senda transpessoal. Ela não difere, em nenhum
sentido básico, daquilo que as tradições
esotéricas chamaram de Senda de Iniciação;
mas essa palavra, Iniciação, tão venerável
e aureolada, pode ser vista sob uma nova luz, uma vez que
o ser humano a trilhar o caminho que o leva até ela
tenha de fato emergido do estado de crisálida; que
tenha saído da prisão representada por aquela
cultura em particular que formou a sua mente e condicionou
as suas reações emocionais e seus hábitos
de comportamento".
Dane
Rudhyar morreu em San Francisco, Califórnia, aos 90
anos, no dia 13 de setembro de 1985. Missão cumprida,
grande mestre!
Marcus
Vannuzini foi um dos pioneiros da astrologia na Internet,
criando a Comunidade Astrológica Virtual e a lista
Solstix. Infelizmente (para nós), agora mora no Universo,
junto com o "grande mestre" Dane Rudhyar. O Fórum
Astral passou recentemente a ter seu nome, como uma forma
de homenagear um grande amigo virtual.