De
repente trocou uma vida de tantas profissões em uma profissão
de tantas vidas e viu-se num corpo ascendente professando o
discurso da astrologia como Ciência da Unidade e Arte
da Síntese. Trouxe em herança uma riqueza inestimável:
a memória de 360 graus de vidas vividas em testemunho
de longas experiências que, em hierofania herdada, ratificou
na presente Vida. Aportou a Nau profissional numa sociedade
onde a rejeição e o preconceito contra a vida
astrológica levantam uma espada afiada na expectativa
de golpes mortais, mas onde sua coragem é exercitada
contra os arrufos de paixões sociais desordenadas.
Enfrentou a sociedade chamada científica na meia-noite
de um tempo de insegurança e fez-se presente em meio
a uma Força Interior onde o conhecimento e a sabedoria
são a Bandeira unica e legítima da arquitetura
do Lar próprio. Criou seu destino, inovou esperanças
e ofereceu o remo seguro da uma nova viagem para cada ser-criança
que o procurou com um bote enfraquecido e à deriva no
mar encapelado de uma vida já sem rumo. Trabalhou incessantemente
na vida da Tradição Astrológica, com intensidade
e sem medo de ser útil, sem vezo de ser rico, sem paixão
de ter Poder, somando cada vida e cada casa à sua casa
e sua vida numa comunhão de trabalhos com a Roda da Fortuna.
Uniu-se
mais a si próprio ao perceber que a chamada casa sétima
dos astrólogos perigosamente descambava para a feira
da vaidade e para a construcão de um Poder falto de verdade
e de Tradição.Transformou o Poder Oitavado em
Profissão de Fé e sorriu na certeza de poder levar
para o Túmulo do Astrólogo Desconhecido um manto
branco e puro de estrela, quando não um sudário
de milhares de Mapas de vidas de mil vidas. Expandiu-se em consciência
e comunhão, nessa nobre Arte Real, acertando na mosca
do inconsciente em cada seta desfechada pelo arqueiro astrológico.
Sentiu-se "Realizando o Realizado", pois sabia que a tarefa
da vida Astrológica jamais termina, mesmo numa vida de
tantas vidas.
Num
"insight" esculpiu no bronze do etéreo a sociedade ideal
sobre as quadraturas do Ego e forjou-as de trígonos de
ouro na fornalha do Inconsciente. Por fim alcancou o céu
de Júpiter/Zeus e autorizado pela imagem de Hades no
Plutão orbital, desceu através da casa 12 para
encontrar Perséfone no útero da terra-mãe
e recomeçar, se necessário, tudo novamente.
A
Velha Senhora , acomodada no Trono Lácteo, sorri dos
esforços da criatura-astrólogo. Tantas vezes seu
apelo foi atendido que agora, seu objetivo está próximo:
torná-lo uma estrela no panteão do Cosmos. Em
breve será mais um Sol, a sussurar no manto da eternidade
o vento zéfiro do Amor Universal.