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Autor de Encontros com médiuns notáveis
(2005) que multiplicou edições e conquistou leitores
de ponta a ponta do país, o escritor, músico e
astrólogo Waldemar Falcão lança seu novo
livro O Deus de cada um, inaugurando na Editora
Agir a publicação de obras de não-ficção.
Catolicismo, Umbanda, Santo-Daime, Zen-Budismo, Islamismo...
em que diferem, se assemelham e se aproximam diferentes crenças
religiosas? Como é feita a escolha e qual é o
trajeto para uma pessoa comum alcançar a serenidade plena
da busca espiritual?
As histórias reunidas em O Deus de cada um,
apresentam, cada uma a seu modo, a riqueza e a variedade peculiar
de nove religiões. Através dos depoimentos de
personagens reais, Waldemar Falcão mostra o que há
em comum nessas experiências – “Todos falam
da mesma presença eterna, da mesma consciência
cósmica e do mesmo princípio universal. Cada crença
tem a sua concepção particular da divindade. Mas
de uma maneira inefável, emana em todos os relatos a
mesma essência, o Deus de todos nós, o Deus de
cada um.”
ENTREVISTA COM WALDEMAR FALCÃO
O Deus de cada um é um livro esotérico,
como Encontros com médiuns notáveis?
É importante esclarecer que Encontros com médiuns
notáveis não é um livro esotérico,
apesar de ter sido lançado pela Nova Era, uma editora
especializada no assunto. Eu pude, com O Deus de cada
um, seguir a mesma proposta do livro anterior: continuar
no trabalho de não-ficção, reunindo histórias
reais. Tanto um quanto outro estão mais na linha daquilo
que chamamos de “livros-reportagem”, com depoimentos
e/ou perfis de pessoas ligadas a determinados temas.
Então explique do que trata O Deus de cada um.
O Deus de cada um é um livro de histórias
reais de nove pessoas de crenças religiosas diferentes,
cada uma contando como foi sua origem, sua busca e sua trajetória
no campo da espiritualidade até encontrar a tradição
com a qual se identificou e na qual se engajou. Como a maioria
dessas pessoas acabou optando por uma religião diferente
daquela na qual foi criada, elas contam também como
a opção religiosa provocou mudanças em
suas vidas.
Você
diria que o tema principal é a religião ?
Eu diria que o tema principal é a espiritualidade,
a partir da religião. Por curiosidade, quando comecei
a desenvolver o livro, não havia essa quantidade de
títulos publicados falando mal de Deus e das religiões.
Com O Deus de cada um saindo justamente agora,
cheguei à conclusão de que ele poderia representar
um contraponto a esses outros. Eu acho que assim é
mais saudável e democrático: eu conto a história
de cada um dos retratados e, em vez de dar minha opinião
pessoal sobre o tema – e eu não sou praticante
de nenhuma religião, embora tenha minhas simpatias
por algumas delas –, deixo que o leitor tire suas próprias
conclusões e faça suas escolhas.
Os depoimentos reunidos em O Deus de cada um são
histórias de líderes religiosos ?
Sim e não. Procurei conseguir um bom número
de casos de conversão e também de pessoas que
levem uma vida leiga, para oferecer ao leitor uma mistura
equilibrada. Alguns têm realmente uma vida sacerdotal,
como o monge beneditino Marcelo Barros no capítulo
sobre o Catolicismo, o swami Chandra Mukha no capítulo
sobre o Hinduísmo, e a monja Coen no capítulo
sobre o Zen-Budismo. Outros têm uma vida leiga, como
Paulo Sérgio Gomes (Neo-Pentecostalismo), que trabalha
como motorista, Jayme Akstein (Judaísmo), que é
engenheiro, e a Renata (Paranormalidade), que é dona-de-casa.
Um terceiro grupo mistura as duas condições:
o sheik Muhammad Ragip (Islamismo) trabalha na área
financeira e é dirigente de uma ordem sufi. O Fernando
Ribeiro (Santo Daime) é escritor e responsável
por um templo daimista, e o Claudio Dias Baltar (Umbanda)
é arquiteto e dirige um centro umbandista.
O foco do seu novo livro não são as religiões,
as instituições, e sim os seres humanos, as
pessoas comuns e o seu processo da busca espiritual. O que
você encontrou de semelhante nos depoimentos apresentados
?
O mais interessante e gratificante foi a postura pluralista
e ecumênica que encontrei em todos os retratados, sem
exceção. Alguns transitaram por várias
religiões diferentes até sentirem que encontraram
o seu caminho numa determinada crença ou prática,
mas todos manifestaram o mesmo espírito aberto e fraterno
com relação às outras tradições.
Acho que esse é o elemento mais importante, não
só do livro, mas da postura religiosa no mundo de hoje.
Apesar de sabermos que o fundamentalismo religioso ainda motiva
e tenta justificar uma série de ações
terroristas e separatistas em todo o mundo, eu acredito que
esses depoimentos que colhi nos ensinam uma lição
valiosa, que é o cultivo do diálogo e o respeito
à diversidade.

©
Milton Montenegro
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