Desde
tempos imemoriais, a Astrologia tem sido usada
como uma forma de orientação para
os seres humanos. Não são poucos
os que sabem disso, mas também não
são poucos os que a relegaram a segundo,
terceiro, quarto plano (até chegar à
total desconsideração de sua importância)
na escala de valores e serviços prestados
à sociedade. Há alguns anos os astrólogos
vêm se perguntando como oferecer um perfil
da Astrologia que ressalte sua necessidade e utilidade,
mas isso tem se tornado cada vez mais difícil,
tanto por causa da péssima imagem divulgada
acerca dos profissionais, quanto devido à
desinformação geral e até
graças a necessidade de muitos astrólogos
manterem-se em dia com suas contas a pagar, o
que força muitos a trabalhar com outras
atividades melhor remuneradas. Não. O Astrólogo
não é sempre aquela figura toda
fantasiada (alguns com turbante e tudo), coberto
de jóias e com ar de “sabe-tudo” cheio
da grana. Existem alguns sim, mas a grande maioria
é de trabalhadores incansáveis,
negando diversas vezes o próprio conforto,
ao atender clientes que ligam fora de horário,
pesquisar muito, procurar aperfeiçoamento
constante, reciclagem e esclarecer aos que combatem
esta arte-ciência, ao falarem sem que saibam
do que estão falando. Os verdadeiros astrólogos
estão preocupados com o desenrolar da vida
cotidiana, com a situação política
da sociedade a que pertencem e do mundo em geral,
pois sabem que o que afeta um afeta a todos. Aquele
que é, de fato, um profissional e estudioso
dedicado preza pela harmonia e pelas soluções
mais diretas dos percalços que o ser humano
enfrenta em seu caminho.
O esforço de esclarecimento nos remete
às origens da civilização,
ainda quando os povos nômades, cujos antepassados
não se sabe ao certo de onde vieram, traziam
em suas tradições a arte de identificar
a si mesmos com o universo à sua volta,
em especial com as estrelas e com as cifras (números,
geometria) dos estudos metafísicos que
influenciaram posteriormente a outras tradições
(a pitagórica, entre elas).
Desde o princípio (Mesopotâmia e
até bem antes disso), o astrólogo
é aquele que, profundamente consciente
dos problemas e dos recursos de sua comunidade,
procura e encontra soluções, auxilia
no planejamento da vida de cada membro do grupo,
leva o auto-conhecimento aos que o procuram e,
de quebra, funciona como uma espécie de
sacerdote, religando as consciências à
Divindade inerente a cada um. Ora, o astrólogo,
de praxe, era o mago da tribo, o hierofante, o
conhecedor das Leis Divinas, aquele que trazia
as “notícias” dos deuses para a vida mundana,
informações vitais para a sobrevivência
da tribo e das cercanias.
Era (e ainda é) preciso uma afinidade toda
especial com a coletividade, um misto de compreensão
das motivações humanas, da consciência
das necessidades práticas de toda a engrenagem
social com uma capacidade de ver tudo isso numa
escala ampla o suficiente para associar eventos,
pessoas, ciclos e coisas a uma Fonte Única.
A presença de um astrólogo (ou mago,
sacerdote, sacerdotisa e correlatos todos
os que, de algum modo, compreendiam as leis divinas
atuando na natureza através do vínculo
com a Tradição) era tão fundamental
nessas sociedades que muito pouca coisa se fazia
sem sua orientação. Se o assunto
era agricultura, era o astrólogo (astrônomo,
economista, geógrafo) quem melhor sabia
definir a época correta (ou mais propícia)
para plantio, não só pelo conhecimento
exato das estações do ano, mas,
pelas características celestes da época
da semeadura e da colheita, podia fornecer dados
detalhados das circunstâncias a serem vivenciadas
em todos os períodos (antes, durante e
depois da colheita se esta iria ser farta
ou não, o que precisaria para melhorar,
etc).
Nos casamentos era o astrólogo (sacerdote)
quem demonstrava os prós e contras, para
que se pudesse ter uma idéia da índole
dos envolvidos (o casal, os pais, a família).
Havia sociedades em que essa “pré-visão”
era solicitada muitos anos antes do provável
casal chegar à idade propícia (falo
de uma época bem anterior à dos
casamentos forjados e forçados que a História
relata).
Se era necessário fazer alianças
com outras tribos ou comunidades, eram os astrólogos
os consultados. Se havia guerra, os estrategistas,
se não eram eles mesmos astrólogos,
os consultavam.
Para melhores resultados em decisões individuais
(ou em conselhos coletivos), num determinado dia,
lá estava alguém de olho nos céus,
medindo e calculando posições dos
planetas, estrelas, percebendo os sinais da Terra
e do Céu e entendendo o desenrolar potencial
dos atos antes que tudo fosse acionado.
Se alguém adoecia, quem era o médico?
Não outro senão o sacerdote, o mago,
o sábio (inclui-se aqui a mulher com os
mesmos atributos), que via na natureza (e no céu)
as correspondências que curavam ou que restabeleciam
o equilíbrio. Mais uma tarefa para os astrólogos
antigos.
Na Idade Média, reservado à nobreza,
o serviço astrológico tornou-se
mais “mitológico” do que já costumava
ser para a maior parte das pessoas, desprovida
de conhecimentos mínimos sobre qualquer
assunto. Como as doutrinas religiosas começavam
a se firmar, tudo o que não estivesse dentro
do escopo de sua forma externa, isto é,
qualquer forma de compreender esse vínculo
dom a Divindade (e a Criação-Humanidade),
costumava ser vista como algo prejudicial (exceto
nas comunidades pagãs, posteriormente invadidas
pelos ditos “civilizados”).
Na Idade Moderna, a fundamental contribuição
às Grandes Descobertas, com as cartas de
navegação, a eleição
dos dias propícios ao zarpar dos navios
e as orientações aos reis e nobres
na competição das potências
marítimas. A Escola de Sagres contava com
sábios provenientes de escolas iniciáticas,
dos Templários e outras linhas da Tradição,
que detinham os mesmos conhecimentos dos antigos,
mas, então, auxiliados por instrumentos
mais sofisticados e pelo acúmulo de documentos-fonte.
Até nisso os astrólogos eram imprescindíveis,
pois muitos foram escalados como médicos
de frota, navegadores, pilotos e construtores
(navios, fortalezas, igrejas, etc conheciam
geometria como ninguém).
Entretanto, em todas as épocas, esses magos
astrólogos não eram procurados por
falarem coisas difíceis de entender, mas
pelos resultados concretos que seu trabalho revelava.
Charlatães sempre existiram e sempre existirão
em toda e qualquer atividade humana da qual a
comunidade dependa em algum grau. Não importa
quantas nem quais leis sejam feitas, isso é
um problema humano, não é exclusivo
de um sistema político, de religião,
de uma raça, de uma região ou de
um tipo qualquer de criação familiar.
Acontece que a Astrologia começou a perder
seu crédito a partir do momento em que
muitos inescrupulosos se aperceberam que as indicações
dadas pelos magos-sacerdotes-astrólogos
eram respeitadas a tal ponto que estes ganhavam
um certo poder. Apesar disso, eles (os astrólogos
honestos) não se importavam com o poder,
mas com a possibilidade de ver o circuito cósmico
em andamento e funcionar como canais para o mesmo
fluxo cósmico que os antigos liberavam
em seus trabalhos. É muito fácil
se fazer passar por alguma coisa, quando não
se tem informações precisas a respeito
dela. Assim, também era (e ainda é)
fácil enganar o povo com imitações
baratas de algo sagrado e de grande valor. Com
isso, o acúmulo de erros cometidos pelos
falsos astrólogos foi provocando a descrença
naqueles que, com um mínimo de discernimento,
percebiam suas falcatruas.
Após
a Revolução Industrial piorou ainda
mais a situação da Astrologia, já
que o número crescente de pessoas em condição
de exercer certo domínio sobre a natureza
afastava a idéia de encontro e comunhão
com uma divindade que, pelos padrões de
pensamento da época (materialista e darwinista
social) estava cada vez mais distante ou indiferente.
Entretanto, os ciclos sempre retornam ao início
e estamos agora sendo beneficiados pela mesma
tecnologia que nos relegou injustamente
à categoria de pseudo profissionais. Agora
temos computadores potentes, Internet, aviões,
telescópios, sondas espaciais, tudo isso
conspirando para confirmar que este saber milenar
sempre foi correto. As analogias de cada planeta
real com seu correspondente simbólico são
surpreendentemente idênticas. Saturno ou
Cronos, senhor do tempo, mas também das
alianças, dos acordos, das muralhas protetoras
que circundam uma fortaleza é conhecido
pelos belíssimos anéis ao seu redor.
Coincidência? Essa palavra ainda será
banida dos dicionários.
Após tantos milênios, a Astrologia
continua desempenhando seu papel orientador, apesar
de ofuscada pelas luzes artificiais das novas
ciências. Teoricamente, a Geografia, a Agronomia,
a Meteorologia, a Química, e a Engenharia
Mecânica dominaram a agricultura, dispensando
o trabalho do astrólogo nesse campo. Eu
disse teoricamente. A Medicina moderna substituiu
(na cabeça das pessoas) muito do trabalho
de curador astrólogo, os serviços
de encontros de casais fornecem uma espécie
de análise de perfil para um relacionamento,
os modernos psicólogos abrem as portas
para o auto-conhecimento e a Estatística
prediz tendências para alguns meses ou anos.
O astrônomo define os calendários,
o físico projeta telescópios cada
vez mais potentes e os engenheiros calculam cada
vez mais exatamente o modo como chegar a outros
planetas que antes só se via a olho nu.
Sim, o saber astrológico foi posto de lado
pela sociedade comum, mas de forma alguma se tornou
obsoleto. Estas ciências são bastante
complexas, enquanto que a Astrologia, a despeito
dos anos necessários para um bom aprendizado,
é simples, pelo simples fato de estar contida
em nosso inconsciente coletivo.
Hoje em dia, mais do que nunca, a Astrologia é
fundamental, seja como síntese de todas
as ciências citadas acima, seja como vínculo,
como ponte de ligação entre elas
e como origem da maioria. É uma base multidisciplinar,
e, por que não dizer, transdisciplinar,
que reúne todos os outros atributos e mais
um que tais especializações não
têm: a lógica do universo, a ordem
que existe sobre o caos aparente e um contato
com os ritmos que nos compõem a todos.
A Astrologia nos permite ver a maravilha sem fim
que é a Existência, dando-nos a certeza
disso. Não, a Arte não é
desnecessária, pelo contrário. Está
cada vez mais firmando seu valor e sua característica
de prestação de serviço a
Grande Família Humana na Terra. Ela ainda
é uma base de apoio ao médico, se
este assim o deixar, abrindo seus horizontes a
esse conhecimento cíclico. É um
método de harmonização numa
comunidade aparentemente desagregada, se assim
os dirigentes o deixarem. É uma técnica
de planejamento confiável para famílias,
empresas, empreendedores individuais, sistemas
científicos, casamentos, educação,
e tantas outras atividades humanas, tantas quantas
puderem ser criadas, uma vez que a Astrologia
é um saber holístico e, por isso
mesmo, presente em tudo o que o ser humano
possa criar. Ela ainda é um meio de fazer
com que as forças cósmicas conspirem
a nosso favor, caso saibamos quais são
os ritmos naturais, possíveis de ser identificados
apenas por quem detém tal conhecimento.
A Astrologia é um serviço à
comunidade, feito por puro amor ao próximo,
muito antes de ter se tornado uma arte exclusiva
de uns poucos privilegiados. O legado é
vastíssimo e a verdadeira vocação
do astrólogo ser o ponto de apoio
da comunidade não pode, de forma
alguma, ser perdida de vista.
Por que o astrólogo cobra pelos serviços
hoje em dia? Não é de hoje que o
astrólogo é pago. SEMPRE foi assim,
mesmo quando ainda éramos errantes e pouco
organizados socialmente pelo mundo. A diferença
é que o pagamento nessa época remota
era feito pelo retorno em benefícios que
a sociedade obtinha (colheita, abrigo, crescimento,
conforto), mantendo o astrólogo sempre
com recursos que captava indiretamente da sociedade.
Muitos trabalhavam em outras atividades como forma
adicional de movimentação da economia
coletiva. Outros eram mantidos no estudo, para
que pudessem estar sempre prontos a fazer um bom
trabalho.
Por que dizer que é por puro amor ao próximo?
Por que não dizer que é apenas para
proveito próprio, ganhando dinheiro com
um saber tão hermético a ponto de
apenas uma parcela da humanidade ter tido acesso
a ele? A resposta reside no fato do praticante
dessa arte-ciência ser um abnegado estudante
em tempo integral, de estar enraizado em sua cultura,
sem, contudo, estar preso a ela, de perceber que
toda ação tem uma reação
de igual força na direção
contrária e que isso constitui a Lei do
Retorno. Não é algo fácil
de explicar, esse sentimento. Como fazer com que
acreditem que alguém assim ama, com toda
a intensidade, ao Ser Humano, por se tratar da
própria imagem de Deus? Como entender que,
apesar de ser tão imperfeito quanto qualquer
outro irmão seu, o astrólogo (o
verdadeiro) só quer o bem-estar daqueles
que ama, ou seja, todos? Se assim era no passado,
isso não deixou de ser verdadeiro agora.
O que muda é a evolução da
consciência de cada um.
Ser astrólogo não é, como
muita gente pensa, ficar conjecturando, olhando
para o céu e babando pelas estrelas sem
um sentido de utilidade e dizendo termos incompreensíveis
a cada vez que um cliente vai ao seu encontro
em busca de ajuda. Ao contrário, é
função do astrólogo mostrar
vias alternativas inteligíveis para que
cada um possa viver melhor, da maneira que lhe
convier e isso não se trata somente de
auto-conhecimento, que, por si só, já
uma ajuda enorme. Trata-se de ampliar os horizontes
das pessoas, de adquirir experiência com
o contato com elas, assimilando-as em si, encontrando-as
dentro de si mesmo, desejando que possam encontrar
o melhor caminho a seguir e mostrando, com a devida
clareza para a época e lugar, as correlações
que os símbolos mostram para um bom desempenho
em todas as áreas da vida.
Numa cidade pequena (onde a religiosidade ou o
conservadorismo não interfiram muito) pode-se
encontrar um astrólogo que seja respeitado,
atuando como apoiador e incentivador comunitário
ou como aquele que ajuda a decidir questões
diversas. Muitos costumam atuar em áreas
culturais e educacionais, pois isso garante maior
abrangência. Numa cidade grande, onde existem
muitos astrólogos atuantes, é importante
haver uma setorização por bairros
ou regiões, fazendo com que cada um possa
fazer esse serviço de alavancagem social.
Sendo assim, a forma de relacionamento entre cada
um desses profissionais pode vir a ser bastante
harmônica, alternando atendimentos em áreas
diferentes, ensino, trocas de experiências
com os alunos de todos os setores, colaborações
de uns nos espaços dos outros, mantendo
o circuito em funcionamento.
Se pudermos definir qual é a verdadeira
função do astrólogo nos dias
de hoje, qual será ela? Dar esperanças?
Também. Falar da psicologia das pessoas
(como elas são)? Sim, mas isso é
muito pouco para o que é possível
fazer. Muita gente acha que uma consulta de astrologia
é garantir que vai ouvir o que já
sabe sobre si mesmo, quando a maior parte do que
ouve é sobre o que não sabia. E
quanto a predizer o futuro? Impossível.
O futuro é variável e moldável
segundo nossa vontade, especialmente quando sabemos
usá-la. Obviamente os ciclos astrológicos
podem definir as circunstâncias de uma época
do porvir, mas os eventos quem faz somos nós,
nosso arbítrio. Como definir para que serve
um astrólogo? Um colega de profissão
e amigo costuma dizer que se você sente
dor de dente, vai ao dentista. Se está
com dores no corpo, vai ao médico. Se está
confuso e deprimido, vai ao psicólogo.
Mas qual é o momento de se procurar um
astrólogo?
A resposta é: num momento crucial, nas
horas de dúvida, nas tentativas de planejamento,
na busca por uma ordem para o caos da vida, na
hora da morte, na hora do nascimento de um filho,
nas festividades, nos encontros coletivos, na
expectativa, na busca de cultura ou de um sentido
para a própria existência, talvez
uma filosofia de vida. O astrólogo é
o amigo, é o irmão, é aquele
que se deleita com a felicidade alheia. Procura-se
o astrólogo quando muitos já falharam.
Procura-se um astrólogo, quando se precisa
de incentivo, mesmo quando as circunstâncias
estão contra. Procura-se um astrólogo
para saber quando ter cautela numa empreitada.
Procura-se um astrólogo para saber o desenrolar
de uma atitude, as características de algo
que se pretende começar e onde se inserir
nesse contexto. Posso enumerar tantos motivos
para uma consulta astrológica que não
vale mais a pena continuar. Além de todos
eles, ainda temos a funcionalidade do apoio às
profissões que, supostamente, substituíram
a função do astrólogo. Supostamente
sim, porque o astrólogo é insubstituível.