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Waldemar
Falcão é muitas coisas: músico, editor,
tradutor, escritor, astrólogo, espiritualista e médium,
além de esposo atento e pai carinhoso. Seu percurso
pela espiritualidade e pela mediunidade o levou a ter contato
com médiuns notáveis, seis dos quais são
aqui biografados por ele.
Para se entender este livro e os fenômenos da mediunidade
testemunhados pelo autor precisamos transcender a razão
instrumental-analítica e meramente causatória,
com a qual operamos cotidianamente. Sem desmerecer o alcance
deste tipo de razão (é por ela que o autor escreve
este livro), há que se reconhecer que ela se mostra
insuficiente para dar conta dos fenômenos surpreendentes
vividos pelos médiuns.
Precisamos nos abrir a outros exercícios da razão,
disponíveis em nós, em alguns de forma mais
patente que em outros. Mais que da razão se trata,
na verdade, da inteligência espiritual hoje reconhecida
pelos estudos avançados de neurologia e neurolinguística.
É a faculdade que está nos seres humanos que
permite ler dentro e no interior da realidade e de captar
o virtual, o passado e o futuro que se anunciam dentro dela.
Esta capacidade é especialmente potenciada nos médiuns.
Mais que paranormais ou médiuns, eles são propriamente
xamãs. O xamã é aquele que entra em sintonia
tão sutil e fina com as energias em presença,
naturais e cósmicas, que consegue manejá-las
e fazê-las benfazejas para os outros. O xamanismo talvez
seja a estruturação mais ancestral do ser humano,
pois nossos ancestros (ela é comum ainda hoje especialmente
nas culturas originárias) viviam a fusão cósmica
com a realidade, sentiam-se um com ela ou parte e parcela
consciente dela.
Por esta razão não é de se admirar e
não constitui nenhum milagre aquilo que Waldemar Falcão
narra. Ao se preparar uma mesa a Oxossi, orixá que
rege as florestas, no meio da mata ao som de um "ponto"
dedicado a ele, de repente, sem que houvesse nenhum vento,
começou a cair verdadeira chuva de folhas de todas
as árvores próximas da mesa e só delas.
E quando pelo findar o dia se fez uma homenagem a Oxalá,
cujo animal sagrado é representado pela pomba branca,
de repente, dois pombos brancos se postaram no alto da pedra
de onde iniciava a cachoeira, e lá ficaram, iluminados
pelo sol, até o momento que terminou a cerimônia.
Só então desapareceram na floresta.
É próprio da inteligência espiritual captar
os contextos maiores, os sentidos ocultos e as conexões
que interligam todos os seres em sinfonia. Os médiuns
e xamãs operam esta ligação de tudo com
tudo. Cabe notar que todos eles, sem exceção,
usam essas faculdades em benefício de quem precisa
sem qualquer vinculação financeira.
O mérito deste livro não é teorizar sobre
tais fenômenos (uma das médiuns, dona Célia,
utiliza categorias da mecânica quântica para conferir-lhes
alguma luz) mas mostrá-los como surgem na vida e na
ação destas pessoas altamente dotadas. São,
em sua grande maioria, pessoas simples, funcionários
públicos, trabalhadores, gente que se perde no meio
da massa humana. E no entanto, são simultaneamente
portadores de forças surpreendentes e absolutamente
gratuitas, exercendo-as sem espalhafato e longe dos focos
da mídia.
O livro dedica também uma parte aos "médiuns
honorários", pessoas conhecidas pelo autor que
revelam capacidade de confortar e de suscitar elevação
espiritual nos outros.
Existe o invisível. Ele é parte do visível.
Esta verdade é testemunhada pelos paranormais-xamãs
e mostrada como realidade insofismável neste belo livro
de Waldemar Falcão.
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