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Nos
organismos vivos se constata que há uma interação
e interdependência entre suas partes ou componentes.
Em cada organismo, órgãos, sistemas e células
interagem e dependem uns dos outros. Cada célula,
possuindo o mesmo DNA, tem o potencial para reproduzir todo
organismo a que pertence, ou seja, cada célula não
apenas está no todo, mas também, de certa
forma, contém o todo. Interação e interdependência
também existem entre seres vivos próximos,
e entre eles e o meio em que vivem, com reflexos em todo
o planeta. Consequentemente, há interação
e interdependência, no mínimo, entre a totalidade
dos seres vivos da Terra.
A astrologia considera que esse processo, ou princípio
de interação e interdependência, é
universal, e está presente no Sistema Solar e no
Universo. Considera que o Universo, que contém tudo,
também se reflete em tudo, em cada uma de suas partes.
Que suas partes, principalmente as estruturas mais organizadas,
com funções mentais por exemplo, à
semelhança do DNA celular, além de estarem
contidas e interagirem no Todo, refletem simbolicamente
o Todo. Dessa forma, o Todo ou sua Imagem, está contido
em cada parte, conforme antigo princípio hermético.
As partes do Universo funcionariam como pedaços de
uma fotografia holográfica, ou de um espelho, onde
cada um mostra, ou contém, toda a figura inicial.
A astrologia não se enquadra nos conceitos atuais
de ciência. Mas, pode ser classificada como "ciência
tradicional", conforme explica Jacques Sadoul no livro que
escreveu com M.Gauquelin: L'Astrologie - L'Astrologie et
la Science; Le Sacre; L'Heredite; Le Fleuve du Soleil –
Bibliotheque de L'Irrationnel - Edit. Denoel - Paris, 1972.
"Os cientistas distinguem as ciências experimentais (a
física ou a química), as ciências
de observação (a biologia) e as ciências
teóricas (as matemáticas). No entanto existe,
aos olhos de um grande numero de pensadores independentes,
uma quarta forma de ciência, totalmente distinta
das outras, ou seja, as ciências tradicionais,
isto é, as ciências baseadas em uma tradição
antiga e imutável que não tem necessidade
de poder ser demonstrada para ser tida como verdadeira.
Compreende-se que os meios científicos não possam
aceitar tal noção. Nesta perspectiva, eu
diria que existem essencialmente três ciências
tradicionais: a filosofia, que é a ciência do homem,
a alquimia, que é a ciência da matéria,
e a astrologia, que é a ciência da
energia, ou melhor, das energias. Sempre dentro desta perspectiva,
tudo que a Universidade chama de ciência não seria
de fato mais do que 'técnica', já
que está sempre sujeita a aperfeiçoamentos, modificações,
novidades. As ciências tradicionais, elas, são
imutáveis, porque subentendem em seus princípios
a intervenção da divindade (...)"
A astrologia basicamente trata de significados de configurações
celestes e de suas correspondências com realidades terrestres.
É uma das formas mais antigas de estudos aplicados. Ainda
hoje, possivelmente continua sendo o conhecimento que melhor
permite detectar elementos que diferenciam o comportamento das
pessoas, assim como diferenciam o momento em que cada uma delas
vivenciou ou poderá vir a vivenciar determinados tipos
de experiências.
A astrologia estuda macro relações simbólicas,
posicionais, da Terra, do Homem e de suas instituições
com o Universo próximo, no transcorrer do Tempo. Considera
que cada vida reflete significados ligados a posições
astronômicas, principalmente aquelas do instante e local
de seu nascimento. Estas primeiras imagens, estas vistas iniciais
do Universo, são suas cartas astrológicas, suas
identidades astrais.
Os componentes da carta astrológica, levando em conta
as posições e correlações com os
signos, conforme simbolismo próprio, têm significados
específicos, são significadores de características
ou de possibilidades de acontecimentos. As instituições
humanas, como as nações, governos e empresas,
assim como fatos ocorridos, sendo partes importantes do nosso
universo, também possuem suas cartas astrológicas.
Para a astrologia, os acontecimentos que ocorrem durante uma
existência apresentam uma certa correspondência
com ciclos planetários que tiveram início com
a primeira inspiração, quando o ser começou
a viver fora do útero materno. A vida, nesse sentido,
começa com uma inspiração e termina com
uma expiração.
Essa relação simbólica da astrologia com
o Universo, permite considerá-la como sendo uma espécie
de linguagem ou forma de comunicação do meio amplo
observável, com o meio restrito, em particular com o
homem – esse 'universo em miniatura', criado à imagem
e semelhança do Criador. Criador ou Ser Supremo, cuja
manifestação mais grandiosa é o Universo.
Para a prática astrológica, além das relações
específicas, simbólicas, posicionais dos astros,
se necessita conhecer outros elementos, que também possam
interferir no que está sendo estudado. O componente astrológico,
importante, não é o único que deve ser
considerado do conjunto daqueles que compõem os quadros
dos eventos, ou de suas possibilidades. Ou seja, o estudo astrológico
não é um processo divinatório, é
sempre um processo amplo de análise de fatores existentes
ou possíveis. Enfim, astrologia não é astromancia.
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