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"Johannes
Kepler, Keppler, Khepler, Kheppler ou Keplerus, à
moda latina, foi concebido em 16 de maio de 1571, às
4h37 da manhã, e nasceu em 27 de dezembro, às
2h30 da tarde, após uma gravidez que durou 224 dias,
9 horas e 53 minutos. As cinco diversas grafias do nome
são todas dele, como são também os
números que dizem respeito à concepção,
gravidez e nascimento, registrados num horóscopo
feito para si próprio."
Arthur Koestler, Os Sonâmbulos, página 153,
Ibrasa, São Paulo, 1961.
Para Koestler, o contraste entre o descuido acerca do nome
e a extrema precisão das datas e horários reflete
espírito para quem a realidade essencial da religião,
da verdade e da beleza, se continha na linguagem dos números.
Mas, possivelmente para Kepler, que buscava compreender a
harmonia e a música das esferas, conforme princípios
pitagóricos, esses valores numéricos eram apenas
elementos essenciais para seus estudos astrológicos.
Kepler iniciou a carreira com a publicação de
almanaques com previsões e terminou-a como astrólogo
da Corte do duque de Wallenstein. Em seu primeiro calendário
profetizou entre outras coisas uma onda de frio e uma invasão
pelos turcos. Seis meses depois dizia a Michael Maestlin:
“A propósito, até agora as previsões
do calendário estão se revelando corretas. Há,
nesta terra um frio jamais conhecido (...) Quanto aos turcos,
em 1º de janeiro devastaram toda a região de Viena
a Neustadt, ateando fogo a tudo e levando prisioneiros e bens"
(Johannes Kepler, Gesammelte Werke – W.v.Dick e M.Gaspar,
Stuttgart, 1948 – citado por Koestler).
Na Harmonice Mundi Kepler trata da alma, da astrologia
e da ação coordenada de raios invisíveis,
provenientes dos astros, que atuam sobre a Terra, influindo
também sobre a vontade dos seres humanos. Esta influência,
segundo ele, teria origem na preexistência de uma relação
harmônica entre fenômenos exteriores, a faculdade
psíquica que os percebe e a alma. Explica a influência
astrológica sobre o homem pelas correspondências
com protótipos universais. Dessa forma, Kepler foi
um precursor das teorias psicológicas que admitem arquétipos.
Também foi um dos primeiros a procurar explicar, em
termos astrológicos e astronômicos, o fenômeno
celeste que poderia ser associado à Estrela dos Reis
Magos, indicativa do nascimento de Jesus. Sabendo que Herodes
morreu no ano 4 antes de nossa era, constatou que pouco antes
houve um agrupamento planetário, em Peixes, signo que
representa os judeus e que pode ser associado ao advento do
cristianismo. Esse stelium (essa estrela), podia ser visto
por aqueles que possuíam conhecimentos das posições
planetárias, como os Reis Magos [astrólogos],
mas não podia ser percebido pelos demais.
O
fundador da astronomia moderna divulgou suas duas primeiras
leis em 1609, no livro Nova Astronomia. A primeira
delas afirma que os planetas descrevem elipses em torno do
Sol, que é um de seus focos. A outra diz que a velocidade
de um planeta varia de tal forma que uma linha imaginária,
ligando esse astro ao Sol, varrerá superfícies
de mesma área em tempos iguais. Mais adiante descobriu
sua terceira lei: os quadrados dos tempos das revoluções
são proporcionais aos cubos dos eixos maiores das órbitas
elípticas. Com isso abriu o caminho para Newton –
que também praticava astrologia – estabelecer
os princípios da gravitação universal.
Em
1999, no site da University Califórnia Santa Cruz (*)
foram apresentadas fotografias da frente e do verso de uma
carta astrológica construída por Kepler há
cerca de 400 anos. Na parte da frente da figura estão
anotadas direções simbólicas [1°/ano],
para o Sol e o MC. A direção do Asc parece que
foi obtida a partir do MC dirigido dessa forma. No verso,
em quatro colunas: para o Sol, MC, Asc e Lua, estão
anotadas profecções – com equivalência
de 7 anos de vida/signo [no lugar de 1 ano/signo, como admitia
Ptolomeu]. As figuras reproduzidas, com partes não
legíveis, precisam ser ampliadas para melhor visualização.
–
Nessas profecções, como é usual em direções,
Kepler devia admitir orbe em torno de 1° para os aspectos.
Com isso, o intervalo de tempo correspondente à orbe
é de mais ou menos 3 meses – talvez um pouco
mais, quando envolvidos o MC, ou Asc, ou o Sol ou a Lua.
Uma
publicação da IBM, De repente, o amanhã
chegou [1970], sobre a chegada do homem à Lua,
diz que "Kepler revelou-se um daqueles gigantes que ajudaram
a nos conduzir à Lua. A um tempo cientista e místico,
Kepler procurava a música das esferas celestiais que
descrevesse o Universo".
Para
ele, que buscava essa harmonia celeste, possivelmente a profecção
baseada no número 7 – número dos dias
da criação, soma do 3 [da Trindade Divina] e
do 4 [a Quadruplicidade das Qualidades Primitivas, geradoras
de Tudo], era a que melhor concordava ou se harmonizava com
o 12 [número dos Signos] – gerado pelo produto
dos mesmos 3 e 4. Além disso, o percurso de todo Zodíaco,
dessa forma, em 7 anos x 12 = 84 anos, também apresentava
outra concordância, pois o 8 e o 4 também somam
12.
No
mesmo site da Universidade da Califórnia há
um texto de Barbara McKenna, que informa que Hans Hannibal
Hutter von Hutterhofen, para quem Kepler construiu essa carta
astrológica, era um nobre austríaco, que nasceu
no dia 20 de setembro de 1586, às 5 horas da tarde.
Não fala do local do nascimento, mas pela figura, possivelmente
tenha nascido em Viena, ou em lugar próximo de Viena.
As
múltiplas rasuras, no original do documento, além
de incorreções, indicam tratar-se de algo feito
de forma apressada – talvez seja apenas um rascunho.
Mas a análise dessas figuras [frente e verso] fornece
a forma utilizada por Kepler nessa leitura astrológica
– o que é particularmente importante.
–
Na casa I está anotada uma Estrela de Áries,
cujo nome começa com E. Sua longitude, com dois dígitos,
parece ser 18° ou 28° desse signo. No décimo
oitavo grau não há estrela anotada nas relações
astrológicas consultadas. No vigésimo oitavo
grau estava a estrela El-Scheratain, ou Sharatan, hoje perto
do quarto grau de Touro. Kepler pode ter anotado essa estrela,
de natureza Marte-Saturno.
Kepler
nasceu prematuro, de pouco mais de 7 meses, em Weil (Wurttemberg),
na Alemanha, e faleceu no dia 15 de novembro de 1630. Para
essa época da morte, as direções simbólicas,
as profecções e a lunação anterior
indicavam para o provável agravamento de seu já
precário estado de saúde. Infelizmente o pior
aconteceu. Fisicamente, desaparecia uma das mais brilhantes
estrelas, entre aquelas que iluminaram a história da
humanidade: Kepler, Astrólogo e Astrônomo, que
procurava compreender a harmonia e a música das esferas.
Em
seu túmulo, no cemitério de Ratisbonne, figura
o epitáfio, composto por ele:
"Eu media os céus, agora meço as sombras
da Terra.
O espírito era celeste, aqui jaz a sombra do corpo."
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